24 de novembro de 2011

BARCO ANCORADO



                                                     
                           Você pergunta se ainda lhe posso amar
                           Mesmo sabendo que ancorei meu barco
                           No porto da desilusão.
                           Aqui só há tormentos
                           Que não conhecem estações
                           E que, ao longe, ainda vertem lágrimas
                           Só pra satisfazer uma necessidade
                           De ver em prantos tolos corações


                           Estou vazia, qual casa abandonada
                           Que nem abriga cansados viajantes
                           Paredes nuas, cruas de emoções
                           Que nem seguram fotos amassadas
                           Rasgadas de lembranças,
                           Amareladas e sem esperanças


                                                       
                           Você procura meus antigos alicerces
                           Bem diferentes dos que construiu
                           Sem estrutura,
                           Pois com eles, só  amargura plantou,
                           Minando a terra, antes firme
                           E hoje imprópria à reprodução
                           De qualquer planta,
                           De qualquer  emoção.
                           Da jardinagem, nada aprendeu,
                           Não soube o que era ter
                           E nada vai colher


                           Não sou mais eu
                           Não sou mais sua
                           Hoje estou nua de afeto
                           E nesse porto, isolada,
                           Não o quero por perto.
                           Cato conchas como se fossem pérolas 
                           E apenas ouço a sua melodia,
                           Canto tristonho que mostra, em harmonia,
                           Toda a saudade do que foi um dia


                                            
                           Você passou, como o fazem as tempestades.
                           Recolho os cacos pra fazer o mosaico
                           Da nova paisagem
                           Um novo sol ainda vai surgir
                           Um novo mar ainda me vai chamar
                           Meu barco, ora inerte,
                           Muito vai navegar,
                           E escolher, um dia, um seguro porto
                           Para ancorar ...
                           Mas só depois que a ventania se for
                           Levando a mágoa e a dor
                           


                                                                              (Marilene)


(Imagens retiradas da internet . Se, inadvertidamente, estiver a ferir direitos, solicito seja avisada, para imediata regularização)

24 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Mesmo sabendo que o poeta e a poeta, ou poetisa, é "sempre um fingidor", que na verdade cria e recria algumas realidades(muitas vezes alheias à sua), tendemos sempre a entender o poema como uma escrita na primeira pessoa, ainda que seja do personagem, que cria(RA)m para se expressar...
    E fico a desejar que o barco agora ancorado, em breve esteja singrando os mares da emoçao, do amor, da alegria e que a ventania dê logo lugar à calmaria e ao sol.

    Beijos, querida!

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  3. Um novo sol ainda vai surgir querida...

    Você merece.

    Gostei do poema apesar de triste. Mostra que tem um lindo coração.

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  4. Amores que vão, outros que vêm... é assim que se compõe a vida.
    Muito bem escrito este findar de um amor!
    Beijo grande amiga

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  5. É preciso de um tempo para recomeçar, são emoções tão fortes, são rastros que não se desfazem com a chuva, nem com o sol. Desses momentos nasce a força que existe em cada um de nós para seguirmos em frente. Um abraço.
    Ivana - Reserva de Emoções

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  6. Poema bonito mas triste. Talvez a palavra seja FORTE.
    Muito bom
    Um beijo

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  7. Bom dia,Marilene!!!

    Lindos mas tristes versos!!Infelizmente acontece mais do que gostaríamos.Mas sempre fica a semente de um novo dia...
    Beijos poetisa!
    Tudo de bom!

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  8. E esse barco ancorado pode estar enfim do porto seguro do amor,,,na serenidade das águas mais calmas...beijos de bom dia pra ti amiga.

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  9. oi Marilene
    um dia com muito carinho gostei do texto,
    beijinhos amiga.

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  10. Existem situações assim...

    LINDO POEMA!!

    Beijinhos Iluminados!
    Paz e Luz!!

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  11. Amiga Marilene, bonitos versos em estilo romântico clássico.
    Um abração. Tenhas um lindo dia.

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  12. Marilene

    "Tristezas não pagam dívidas!", diz o Ditado.
    O teu poema está manifestando um estado de espírito onde a tristeza mora.
    Partir para "outra" (como se diz) esquecendo as mágoas que nunca foram edificantes.


    Beijos


    SOL
    http://acordarsonhando.blogspot.com/

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  13. Bela linguagem, Marilene. Afinal de contas nos colhemos o que plantamos. Excelente texto. Um abraço

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  14. O porto da desilusão não é o último destino do barco do amor. Ainda muitos outros mares serão navegados, antes que o encostemos no pier final.

    Seu poema é leve e lindo, como tudo que esceve.

    Beijinhos.

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  15. OI MANA,
    Lindo poema, mas melancólico.
    Por certo, este barco logo voltará a navegar por outros mares mais serenos e ao balanço da melodia do amor.
    Linda a primeira imagem.
    Beijos.

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  16. Minha amiga tão querida, por muitas vezes ancoramos barcos em certos lugares e acabamos mal depois, nos sentimos arrependidas de termos ancorado ali, mas com o passar do tempo vemos que tiramos muitas lições do que se passou e tudo volta a ser lindo e mais alegre depois que a dor vai embora.

    Te amo muito Mari!!!
    beijokitas com super carinho na sua bochecha.

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  17. Oie lindona


    Lindooo poema, barco logo sai, já que a tempestade passa mesmo que se demore um pouco e de qualquer maneira, foram lições que ficou.

    beijos querida.

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  18. Mas é claro que o Sol vai brilhar numa manhã,depois de noites terriveis e com ele,uma onda que se eleva neste mar de angustia e leva toda ela para as aguas fundas e deixa o peito livre e solto para recomeçar. Triste inspiração,mas bela na capa da poesia.Meu abraço Marilene com toda paz e luz.Bju.

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  19. No dia seguinte a gente acorda e depara com o barco ancorado em um porto seguro depois de uma longa noite de tempestade... nesse momento temos duas escolhas - continuar ancorada ou zarpar!

    Um dia eu preferi zarpar... e não me arrependi!
    Hoje estou melhor ancorado em um outro porto seguro.

    Abraços
    Giovanna

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  20. O barco não foi feito para ser ancoradas ou amarradas à extremidade do porto, mas para navegar pelos mares, apesar das tempestades...

    beijos

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  21. Tu bem sabes, navegante,
    Que ancoraste em mau lugar,
    Que é na maré vazante
    Que o barco deve zarpar;
    É o momento em que a corrente
    Te leva seguramente
    Direto ao alto mar.


    Levantar âncora! Mas vê se escolhe um porto mais acolhedor na próxima vez, pô!
    Abraços.

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  22. sobre barcos, viagens e desilusões:

    "um dia houve
    que nunca mais avistei cidades crepusculares
    e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
    inclino-me de novo para o pano deste século
    recomeço a bordar ou a dormir
    tanto faz
    sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade "
    al berto

    beijinho!

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