27 de agosto de 2013

LAURA

(Enzo-Perrazziello)



                                            
                                Não foi essa a promessa
                                Não foi esse o acordo
                                Ele na ronda noturna
                                Ela na frequente amargura
                                Da espera

                                E quando ele volta
                                Não quer discussão
                                Basta uma pergunta
                                E já usa a mão,
                                Que fere, machuca,
                                Marcando seu rosto
                                E seu coração

                                Essa é a vida de Laura,
                                A Laura que foi alegria
                                E com quem muitos outros
                                Pensaram casar
                                A Laura do sonho
                                A Laura do amor 
                                Que tudo deixou
                                Por uma ilusão

                                E como outras Lauras
                                Adota o silêncio
                                Temendo ameaças
                                E mais sofrimento.
                                Esquece que é tempo
                                De socorro pedir
                                Esquece que é gente,
                                Que tem seus direitos,
                                Que merece respeito
                                E que pode partir

                                                                    Marilene

59 comentários:

  1. Olá mana,

    Infelizmente, para muitas mulheres o lar não representa segurança e nem aconchego. Significa,em vez disso, medo e a possibilidade de violências.
    Apesar do acréscimo do número de denúncias, o Estado não tem conseguido oferecer a elas um amparo seguro e muitas preferem optar pelo silêncio com medo de maiores agressões ou até de serem assassinadas, que é o que vem ocorrendo em alguns casos.
    Mesmo assim, é preciso que a mulher não desista de seus sonhos e de ter uma vida de paz. Somente denunciando a violência doméstica haverá possibilidade de uma mulher recuperar sua dignidade e sua vida. Amor se paga com amor e não com violência. Nada justifica o procedimento doentio e de desrespeito de alguns homens para com suas mulheres.

    Seu poema é um belo grito de protesto contra esta situação desumana, à qual nenhuma Laura deve se submeter.

    Beijo.

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  2. A agressão física machuca por fora e por dentro. E nada pior do que o medo da mulher denunciar o agressor e tentar ao menos dar um basta nisso. Poema forte e verdadeiro. bjssss

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  3. Um poema alerta cada vez mais necessário. Em Portugal rara é a semana em que uma mulher não é assassinada ppelo marido,namorado ou companheiro. Desde o inicio do ano 28 mulheres foram assassinadas. A violência doméstica está em constante crescimento. E há por aí tanta Laura escondida.
    Um abraço e uma boa semana

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  4. Coitada da Laura!
    Nos dias de hoje as mulheres não podem mais admitir uma coisa dessas.
    Alguém tem que ajudar essa mulher e tirá-la das garras desse idiota!

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  5. A ilusão precisa ser refinada, talhara, transformada em realidade, para que a pele não seja machucada! abraços

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  6. Triste a vida de Laura que como tanta ainda acha que é obrigada a ficar com esse machão ridículo... Goge, denuncia Laura! A vida pode te esperar! beijos,linda poesia,bem real! chica

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  7. Ah, Laura, como foi que você entrou nessa?... Vivo me fazendo essa pergunta, e não entendo. Não aceito as respostas. Terrível situação! Bom dia, Marilene.

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  8. Bom dia Marilene :)
    Existem muitas 'Lauras' apanhando caladas.
    É difícil entender porque uma mulher se sujeita a viver uma vida dessas,
    mas motivos não devem faltar.
    Talvez seja a dificuldade em comprovar uma queixa.Ou então o péssimo atendimento nas delegacias onde muitas vezes elas são ridicularizadas,e também a denúncia algumas vezes (como a Vera lembrou muito bem),é praticamente uma ameaça real de morte.
    Mas enfim,lutar é preciso...
    Um texto atualíssimo e escrito com a perfeição de sempre.
    Bjs \o/

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  9. Parabéns em primeiro lugar por trazeres (tal como eu já o fiz também) este tema para o blog pois nunca é demais trazê-lo para conhecimento público, quer seja na forma de poema, de história, de reportagem...
    Quantas e quantas Lauras estão ainda escondidas por detrás das paredes de sua casa,esperando que passe o machucado para poderem de novo sair à rua...
    Vamos continuar publicando sobre o assunto mais e mais, quem sabe as Lauras não leiem e ganham coragem para fazer aquilo que é o certo?...
    beijo amiga
    anacosta

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  10. É triste saber que existem muitas Lauras e por uma série de fatores, continuam a se submeterem a este sofrimento. É triste...Muito triste.
    Beijos.

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  11. Quem dera fossem fortes todas as Lauras a sofrerem caladas no interior dos seus lares, enquanto o mundo adormece... Quem dera.

    Tocante, Marilene.

    Beijo!

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  12. Oi Marilene
    Muitas são as Lauras que existem por aí, que sofrem por escolhas mau feitas, e permanecem na dor por medo.
    Bjux

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  13. Oi Marilene, boa tarde minha amiga!
    Lindíssimo! Quantas e quantas Lauras existem por ai a sofrer, querendo fazer diferente, querendo viver simplesmente, mas não conseguem por medo.Isso é muito triste...Parabéns pela abordagem do tema em linda e triste poesia.
    Beijos com carinho
    Marilene

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  14. Marilene,

    A minha Laura tem personalidade. Personalidade forte. E não cede.

    Beijos

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  15. Querida amiga Marilene!

    Bela poesia, existem tantas Laura, no silêncio e na ilusão que um dia não será torturada pela violência. E você amiga, retratou tão bem esse tema.

    Parabéns! por essa poesia, que toca os corações da Lauras esquecidas e reprimidas na ilusão de um dia melhor. A mulher não pode continuar a viver esse tipo de pesadelo.

    Bom, eu não suportaria ser uma Laura, ficar calada no eco do silêncio.


    Beijos e abraços carinhosos.Nati

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  16. A violência caseira, não somente amedronta, mas emudece, por isso, mtas mulheres, por medo, se cala. Bjos, Marilene.

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  17. Olá Marilena
    Suas poesias são reais e sensíveis.
    Estou propondo uma Série Poetando com amigos. Dá uma olhada no link que vou deixar e quem sabe vc se junte ao grupo, abrilhantando meu espaço com uma de suas poesias.
    http://pensandoemfamilia.com.br/blog/serie/vamos-poetar/

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  18. A agressão além de machucar o corpo, machuca a alma, pois deixa marcas no corpo e na memória que duram uma eternidade. Seu poema retrata o que realmente acontece. beijinhos

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  19. Ah quantas Lauras vivendo um dilema destes por não tomar a atitude devida. Aceitar as agressoes é abrir mão da felicidade própria!

    Beijos e uma semana de paz pra voce, Mari!

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  20. Olá, Marilene. Bom dia Flor! O texto é tão real. Quantas Lauras encontramos por ai... decepçoões, violência constantes e assim vão seus sonhos, sua vida. È triste! È real! Que um dia possa ser mudado tudo isso. Obrigada amiga por partilhar! Bjos e todo carinho para vc.

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  21. Infelizmente, a violência contra a mulher é infinita. Aqui no Brasil é.

    Quantas Lauras... quanta violência... quanta maldade... covardia...

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  22. Muito bem lembrado nestes versos quantas Lauras esquecem seus direitos por medo e vergonha é lamentável a situação da mulher apesar de todas as mudanças que sofremos o machismo ainda impera.

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  23. Pois é amiga, ficar suportando esse tipo de vida já é falta de amor-próprio. Profundo, triste e verdadeiros seus versos. Bjus

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  24. Boa tarde, Marilene. Vivemos em um mundo onde existem muitas Lauras, mulheres que sofrem todo tipo de violência em nome de um lugar para morar, para poder cuidar dos filhos, por não ter como sustentá-los.
    Umas, até acreditam que o companheiro possa mudar e viverem juntos e felizes.
    Só que isso não funciona assim.
    É melhor partir, a fim de preservar a integridade física e emocional não somente sua, como a dos filhos.
    Homens violentos, além de fazerem mal a quem deveriam tratar bem, respeitar, também causam danos contra seus filhos.
    Situação assim não pode ser sustentada.
    A mulher agredida precisa buscar os seus direitos, procurar abrigo, se refugiar.
    Quantas Lauras não aparecem assassinadas com requintes de crueldade?
    Quantos "homens" covardes se vingam nos filhos o fim de um relacionamento?
    Não posso chamar esses indivíduos de homens, são escória.
    Por mais difícil que seja, a mulher tem de ter em si o desejo de viver uma nova vida e respirar ares de respeito com novas possibilidades.
    Certamente as marcas a acompanharão, mas com um bom trabalho psicológico, elas serão minimizadas.
    Beijos na alma e fique com Deus.

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  25. Marilene

    Quer queiras, quer não os teus escritos me dizem, que uma boa observadora da vida. O poema será de interventivo e vai muito nesse sentido.
    Perante o mesmo, apetecia gritar bem alto: mundo lede e escutai os poetas!...
    Beijos de amizade

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  26. Esta aconteciendo mucho esto ahora, ultimamente hay muchos casos de violencia domestica e o "tratamento do silencio" é so uma de issas formas perversas. Interesante poema que nos faz refletir... envio-lhe um abraco grande.

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  27. Oi Marilene!obrigada pela presença na festinha do blog.Olha só,existem muitas Lauras por aí sofrendo nas mãos daqueles que um dia eram só "amor",muitas têm medo de falar,denunciar,porque são ameaçadas,é preciso muita coragem pra enfrentar o pesadelo em que vivem....

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  28. Oi Marilene

    Muitas não tem chance de partir. Acabei de assistir no noticiário, 20 anos, 2 filhinhos, separada a um mês por causa de violência, foi morta dentro da casa de sua mãe só por ter arrumado um emprego.

    Triste realidade. Monstruosos projetos de homens!

    Até em tema horripilante você consegue criar uma aura de delicadeza e sensibilidade.

    Um beijo

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  29. O azar começa na acto de quem escolhe a companhia para a vida!
    Beijinho para si!

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  30. Étriste saber que ainda existem Lauras por ai.
    Grande abraço minha amiga!!

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  31. Olá, querida Marilene
    Deixar tudo por uma ilusão não é para qualquer medroso....
    Bjm festivo de paz e bem

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  32. UN TEMA MUY MELANCÓLICO, PERO BELLO.
    UN ABRAZO

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  33. Há muitas Lauras que não usam a "Maria da Penha" para calar seus sofrimentos.
    homens que voltam embriagados pra casa, espancam para mostrar que mandam e as "Lauras" se calam pq tem medo de morrer, tem medo de não conseguir sobreviver sozinhas, tem medo de arrepender...
    Um tema pra lá de melindroso e que você versificou maravilhosamente querida.
    bjkas doces e um bom fim de semana.

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  34. Muito bonito o poema! que pena haver tantas Lauras por esse mundo fora, pena aquelas que não conseguem partir...
    Bjs

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  35. Muito bem escrito seu poema, Marilene, porém triste, porque trata de uma dura realidade vivida por muitas mulheres. Algumas vezes cheguei perto de sentir o peso da violência, inclusive de alguém que jamais imaginei, mas felizmente tive forças para sair dos relacionamentos antes disso. É lamentável, principalmente quando vem de quem se espera carinho e amor.
    Um abraço!

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  36. Marilene querida, tudo bem?
    perfeito teu poema e muito reflexivo para um questão deveras importante, a da violência contra a mulher. E quantas Lauras existem no Brasil e no mundo? Com medo, sem apoio ou orientação?
    Bela iniciativa a tua, com a sensibilidade poética, levantar tal tema.
    Grande beijo e ótimos dias!

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  37. Que triste, Marilene, mas que ótimo poema! Muito bem escrito, muito melódico, sonoro... - o doloroso real tratado com poeticidade e delicadeza. Gostei muitooo!
    Obrigada pela visita gentil e carinhosa ao MINAS DE MIM, onde vc será sempre bem vinda, sim?
    Adorei ter conhecido vc!

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  38. Bonito poema: com palavras que justificam a pluralidade dos sentimentos...

    Que o seu fim de semana seja auspicioso e feliz...

    ZezinhoMota

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  39. Lindo, Marilene.

    E é exatamente assim. Quantas Lauras vão em busca de auxílio querendo os seus direitos reconhecidos, mas depois preferem ficar no silêncio, desistem por inúmeros fatores: filhos, dependência financeira, etc.etca.

    Lindos dias para você.
    Bjs.

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  40. Olá Marilene, e que tudo esteja bem!

    E assim, por conta de algumas tantas Laura que se anulam para que o par viva da melhor maneira que deseja, ela deixa de viver, pois prefere ignorar seus próprios desejos, e não se permite sequer em novos dias de intenso viver sonhar!

    Belo escrito Marilene, obrigado por compartilhar, e por tuas generosas visitas e amizade!
    E assim desejo que seja sempre deveras iluminado e feliz o teu viver, abraços e, até mais!

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  41. Infelizmente tem centenas de "Lauras" por aí pelo mundo.
    Seria tão mais fácil e digno se houvesse respeito.
    Parabéns pelo belo poema.
    Um abraço querida Marilene, já estava com saudades de vir aqui, mes estava de repouso, mas agora voltei graças a Deus.

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  42. Olá Marilene,
    a poesia, linguagem riqíssima, tanto canta o amor como denuncia o desamor.
    A reação, ato de coragem, parte da recuperação da capacidade de se amar a si mesmo.
    Grande Marilene! Sou seu fã.
    Um abraço e uma boa semana

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  43. Oi Marilena agradeço e retribuo a sua visita.
    Quanto ao link vou enviar por e-mail para vc ver se lhe convém.
    Linda a sua poesia como as demais, belo ponto de reflexão.

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  44. Oi Marilena agradeço e retribuo a sua visita.
    Quanto ao link vou enviar por e-mail para vc ver se lhe convém.
    Linda a sua poesia como as demais, belo ponto de reflexão.

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  45. Quantas Lauras existem aprisionadas pelas fragilidades ocasionadas pela situação, até que se rompa o lacre do medo...
    Beijão, querida.
    Em divina amizade.
    Sonia Guzzi

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  46. Que triste verdade essa, Mari... Muitas Lauras amedrontadas,frágeis e por vezes caladas em seus próprios gritos.

    Poema que bate fundo na gente.

    beijão: MUAC!

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  47. O medo paralisa, não deixa avançar.
    Bjs

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  48. BOA NOITE MINHA QUERIDA !
    HOJE AO ABRIR MEU BLOG FUI SURPREENDIDA COM SUA VISITA E COMENTÁRIO.E RETROCEDI NO TEMPO.LEMBRA-SE QUE UM DIA EU COBREI TUA PRESENÇA NELE?
    VALEU MUITO A PENA.POIS ERA DE PESSOAS HONESTAS E QUERIDAS QUE ESTAVA ATRÁS.
    HOJE VALEU,ABRI E LER TODOS QUE POR LÁ PASSARAM.VOCÊ FOI UM DELES
    AGRADEÇO O CARINHO DEIXADO LÁ.NEM TEM PREÇO,SABIAS ?
    DEPOIS VOLTAREI PARA COMENTAR TEUS BELOS POSTS.HOJE É MARCANDO PRESENÇA,RSRSRSRSRSR
    BEIJO GRANDE !!!!!

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  49. Bom dia, querida Marilene!

    Tema, assunto muito vasto e muito complexo.

    Quantas "Lauras" espalhadas e caladas por esse mundo!

    Seu poema, que é um grito, me faz lembrar um de um grande poeta português, já falecido, de nome Antônio Gedeão. O poema de que falo se chama "Calçada de Carriche". Se tiver curiosidade, o leia. É muito real, demais, até, e a temática é a mesma que a de seu poema.

    Linda semana, com muita harmonia, liberdade e alegria.

    Beijos da Luz.

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  50. Muitas mulheres como a Laura...
    Beijo Lisettte.

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  51. Olá!!!, Deus te abençoe, amiga amei o poema lindo, o seu blog é maravilhoso continue assim, S-U-C-E-S-S-O
    Já estou te seguindo, aguardo a retribuição.
    Canal de youtube: http://www.youtube.com/NekitaReis
    Fanpage: https://www.facebook.com/pages/Batom-Vermelho/490453494347852?ref=ts&fref=ts
    Blog: http://arrasandonobatomvermelho.blogspot.com.br

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  52. Absolutamente belo e tocante. Infelizmente quantas Laura's existem pelo mundo fora.
    Beijinhos
    Maria

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  53. ai tantas Lauras por aí...

    real e cruel...

    :(

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  54. As Lauras que emprestam suas dores para editar um grito diante toda esta coisa fora de ordem geral.
    A vida sem fantasias Marilene.
    Belo trabalho amiga.
    Ainda veremos a volta por cima ou cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar.
    Um abração com minha admiração.
    Beijo de paz e luz amiga.

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  55. Estupendo, esse teu Blog! Já percorri vários poemas e, a cada novo, fico encantada! Belo!

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  56. Estupendo, esse teu Blog! Já percorri vários poemas e, a cada novo, fico encantada! Belo!

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  57. Estupendo, esse teu Blog! Já percorri vários poemas e, a cada novo, fico encantada! Belo!

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