20 de setembro de 2014

NÃO SOU VIAJANTE

(Victor Bauer)


                                                                                  

                                               Não sou viajante ...
                                               Assusta-me a aridez de solos
                                             Que não gravam pegadas
                                      Assim como a de corações
                                      Que não tatuam sentimentos

                                      Sem saber onde vou chegar,
                                      Saberei um dia voltar, inteira?
                                      Meus passos estarão perdidos
                                      Os sonhos comprimidos
                                      De tanto os controlar,
                                      Os olhos, mais cansados,
                                      Os pés, dilacerados,
                                      De tanto caminhar
                                      Sem prévia direção

                                       Não sou viajante ...
                                       Apego-me ao que tenho
                                       Ao suco desses frutos
                                       Que posso alcançar,
                                       Olhar, tocar, sentir
                                       Sem por eles me consumir
                                       Com expectativas vãs

                                        Não sou viajante ...
                                        Aqui, no meu espaço,
                                        Conheço até as traças
                                        E as posso eliminar.
                                        Paredes não guardam segredos
                                        Entendem qualquer enredo
                                        Do meu jeito de viver,
                                        E o chão já se acomoda
                                        Para que eu possa passar, sem cair.
                                        Cada quina, esquina, canto
                                        Tem seu especial encanto
                                        E advinha o meu sentir

                                        Não sou viajante,
                                        Exploradora, aventureira ...
                                        O conhecido me fascina
                                        Por entendê-lo bem.
                                        Aqui, plantei o amor
                                        E nada me seduz
                                        Pra ir além


                                                               Marilene



49 comentários:

  1. Olá mana,

    Bela maneira de dizer que não se precisa ir longe para ser realizada e feliz. Há pessoas naturalmente aventureiras, que adoram explorar o desconhecido. Há outras apegadas às suas raízes e que não sentem necessidade de sair de seu espaço, onde encontram paz e segurança.
    Cada um deve viver da forma que lhe faz mais feliz e plena.
    O final do poema diz tudo: "Aqui, plantei o amor/E nada me seduz.Pra ir além."

    Gostei da imagem e do novo visual do blog.

    Beijão.

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  2. Gostei. Do poema e do novo visual do blogue. Normalmente somos felizes onde temos as nossas raízes. Onde se "planta" o amor.
    Um abraço e bom fim de semana

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  3. O desconhecido por vezes nos assusta e tão bom quando não precisamos sair de onde estamos para ser feliz e estar bem. Linda poesia! bjs, ótimo fds! chica

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  4. Eu sou viajante,,, da boa poesia. E assim, viajei na sua. Parabéns, Marilene. beijos

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  5. Olá, Marilene! Cada pessoa tem seu jeito de ser e sentir. O poema fala de alguém que não precisa partir para se encontrar, e isso é válido. A sociedade empurra a buscarmos sempre mais, e isso nem sempre é o melhor. Já quem gosta de novos desafios, a partida e a realização está em cada nova chegada.
    Vejo-me como uma pessoa muito flexível e de fácil adaptação. Estando em um contexto onde eu esteja tranquila e feliz, tanto posso estar no mesmo lugar, como posso estar em um novo lugar... estarei bem do mesmo jeito.
    Um abraço!

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  6. Não sou aventureira e na maioria das vezes a realização está bem pertinho de nós, pois não?
    Amei seu poema querida Marilene, um abraço e feliz fds.

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  7. Bom dia, Marilene. Pra dizer a verdade, também não sou viajante... gosto do chão sólido, mesmo sabendo que solidez e estabilidade são ilusões. Adorei teu poema, e me identifiquei!
    Bom fim de semana!

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  8. As aventuras as vezes assustam. Na verdade, pra mim, sempre assustam. Gostei do poema e da idéia dele.
    Um belo final de semana minha amiga!

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  9. REFELXIVO, PERO SIGNIFICATIVO TEXTO.
    UN ABRAZO

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  10. Nada mais é preciso... Plantarmo-nos nas nossas emoções só colheremos bens e amores... Nada mais é necessário! Lindo poema!
    Abraço.

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  11. Eu acho que até és viajante na bela poesia que escreves. Ainda que não desejes caminhos desconhecidos, há tanto conhecimento dentro das nossas viagens interiores. A emoção reside precisamente aí!
    Lindo! Parabéns, Marilene. Meu beijo :)

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  12. Olá, querida Marilene
    Engraçado, amiga, eu sou de segurança, estabilidade... mas eu não consigo viver presa a isso de jeito algum... quando gosto de um lugar, lá vem vida nova pra mim...
    De repente, sou aventureira e não percebi...
    Mas, falando sério, muito bonito o seu poema que revela uma personalidade marcante em cada verso...
    Bjm fraterno

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  13. Eu tenho meu momento de viajante, de conhecer outros solos, de se estender; mas também tenho o meu momento de não viajante, de querer ficar no conhecido, no seguro.

    Parabéns pelo poema cheio de sentimentos, cheio de teu ser. Tenha um abençoado fim de semana.Bjs

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  14. Marilene, lindo seu poema!
    Não sou viajante!!!!!
    Temos receio do desconhecido mesmo, é melhor ficarmos o que o que conhecemos mais ou menos e tentarmos nos aprofundar .
    O coração que não conhecemos, poderá nos surpreender , mas poderá nos fazer sofrer também, desta forma como um escudo que usamos, ficamos nos protegendo do que não conhecemos!
    A vida é uma viagem,amiga!
    Bjus
    http://www.elianedelacerda.com
    Amo seus poemas,querida!
    bom domingo!

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  15. Marilene! Não sou viajante, és aqui uma bela poesia, não quer ter conhecimento da vida, esconde-se na sombra de si, quem não assume a viagem da vida, tem receio do desconhecido, etc..

    Parabéns amiga !

    Bom domingo para ti. Bjs

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  16. Olá Marilene
    Quando se tem certeza do que se quer não há necessidade de lançar-se em nova aventura quando conhece-se interiormente e sabe o que te faz feliz. Lindos e intensos versos!
    Beijos e uma abençoada semana

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  17. Confesso que depois de uns tempos de ausência da blogosfera, morria de saudades, poemas de qualidade que muito gosto Marilene!~
    Beijinhos

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  18. Poema maravilhoso, Marilene. Mais um. Não é viajante mas escreve bem demais e tem sentimentos de sobra. Bjs e boa semana..

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  19. O que nos é familiar dá-nos segurança, a tal zona de conforto de que agora se fala muito.
    O aconchego da nossa casa, do nosso chão, traz-nos equilíbrio, sítio onde podemos imprimir
    os sons dos nossos dias, os passos dos que nos são queridos, as alegrias e as tristezas que são
    nossas. E assim, superando-nos no dia a dia encontramos o nosso verdadeiro ninho.

    Este seu poema é reconfortante e faz-nos visualizar como é bom o recesso do nosso lar.

    Boa semana, cara Marilene.

    Bjs

    Olinda

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  20. O poema é todo belo, mas o primeiro verso, arrasou.
    Bjux

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  21. Um Poema de beleza infinda!
    Estar no nosso Mundo vale um Mundo só nosso.
    Para, e, por quê viajar?
    Lindo Marilene.


    Beijos


    SOL

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  22. Olá Marilene,
    (Hoje pela manhã, não consegui comentar aqui,
    mas agora parece que vai dar certo).
    Gosto de ser viajante...
    entretanto meu caminhar precisa ter uma prévia direção!!
    Achei lindo o poema e a ilustração.
    O blog está com um visual ótimo :)
    Bjs!

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  23. Eu sou viajante, viajei novamente em mais uma bela poesia.
    Abraço

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  24. Também não sou viajante. Belo poema. Épico cotidiano!
    Um abraço

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  25. E somos viajantes da poesia, da inspiração acelerada, basta que ela exista, para que possamos pongar no bonde e fazer esta viagem encantada para dentro de nós.
    Lindo demais Marilene.
    Voce se supera e nos encanta sempre.
    Que bom seria ter um livro seu.
    Uma linda semana de poesia,flores e cores desta primavera.
    Carinhoso abraço de muita paz e luz.
    Beijo

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  26. Eu ca ja sou cigana... e ciganos estao sempre partindo... mesmo que nao saiam do lugar...

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  27. eu não serei aventureira, mas viajante, sou em toda a acepção da palavra.
    gostei da mensagem do seu poema, que por não ser viajante de uma maneira viaja nas palavras profundas.
    um bom dia
    :)

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  28. A zona de conforto é sempre um conforto.

    Que linda forma de expressar seus confortos (amei até as traças dela)

    Mari,
    Como é bom estar de volta à sua caixinha de palavras, sempre tão lindas, sábias, sensíveis e profundas.

    Um beijo enorme

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  29. As minhas férias terminaram… e para assinalar o seu fim publicarei um post, logo, à meia noite. Fico-te aguardando.
    Pois eu farto-me de viajar! :) Ultimamente por obrigação (esta minha viagem à Itália foi por necessidade... familiar)
    Lindo poema!

    Um beijo
    Miguel

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  30. Não sou viajante,
    -----------
    Claro que todos somos viajantes. E viajamos sem sair do local. O pensamento leva-nos a locais inimagináveis.
    ---
    Que a felicidade esteja por aí.
    MANUEL

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  31. Mas o pensamento viaja pelos textos ;) Um abraço, Yayá.

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  32. Acho que nunca refleti sobre ser ou não viajante... Lendo esta beleza de poema consigo encontrar traços que também me são inerentes, como o solo que piso, cada esquina, cada canto, tudo tão perfeitamente conhecido e já um tanto explorado onde me chega o aconchego daquilo que me cerca... Mas às vezes me vejo um pouco aventureira e saio desse comodismo para tentar alçar novos voos, esticar a mão e colher outros frutos, estender um pouco mais os passos para além de um limite por mim mesma traçado...
    Pode-se ser aventureira e ao mesmo mesmo tempo não ser viajante?
    Amiga, que poema mais lindo tu criaste!!! Os versos estão perfeitos!
    Descobri agora uma coisa: tu podes não, mas a tua alma é uma viajante de primeira classe, pois o lugar para onde ela viaja é justamente um dos mais bonitos e mágicos que existe: o mundo da imaginação, o mundo da poesia! E com que facilidade ela transita por esse mundo tão delicado e tão rico! Belo, amiga, mui belo o teu poema! A imagem também belíssima!
    Que te chegue uma Primavera inundada de sorrisos e de estrelas, espalhados nas flores que teu coração certamente há de abrigar.
    Com carinho,
    Helena
    (http://helena.blogs.sapo.pt)

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  33. É bom saber com que contar e fugir do desconhecido, mas não há forma...

    Haverá sempre acasos, impoderaveis com que tropeçamos e somos obrigados a lidar.

    Beijos


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  34. Olá querida Marilene, o medo de viajar , tirar os pés da zona de conforto nos causa insegurança.
    Esta viagem , quem sabe se mescle com a viagem do sono eterno, quando não poderemos mais comandar nossas vidas e sonhos. Belíssimo poema. Há a possibilidade de fazermos várias leituras do seu poema. Grande beijo!

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  35. Marilene, me fascina a tua alma poética. Ia dizer que o lindo poema, numa visão minha, por diversas observações, ao que escreves e como abordas, cada problema, permito-me considerá-lo autobiográfico.
    Beijos

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  36. Um poema no qual me identifiquei, pois também não tenho alma viajante. embora a mente voe sempre.

    beijinho

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  37. A maior viagem é a interior. O teu caminhar é muito poético,registrando a
    beleza única que tem no cotidiano (conhecido),pertencente a um olhar (nosso)
    afetivo. Este olhar transcende e liberta...
    Magistral poema,gostei muito!!
    Bjo.

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  38. Lindíssimo e exuberante poema; versos inspirados e genialmente escritos... Parabéns pela criatividade admirável!
    Para que saiba, divulguei a Programação das apresentações do 2º Prosas Poéticas que se iniciará nos próximos dias; dê uma olhada, quem sabe entre as autoras e os autores participantes, não tenha alguém a quem você gostaria de prestigiar.
    Abraço.

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  39. Boa noite Marilene..
    somos viajantes do tempo.. e por hora construimos nossa estada no aqui agora..
    não me vejo viajando no físico.. mas no astral tenho certeza que vamos longe.. bjs de boa noite poetisa

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  40. OI MARILENE!
    UM SENTIR, PÉS NO CHÃO, DE QUEM ENCONTROU NA VIDA O CAMINHO CERTO, O TRILHOU EQUILIBRADAMENTE, DELE TIROU O QUE TINHA PARA DAR E COM A SABEDORIA DA DA MATURIDADE, ENTENDE QUE NADA MAIS HÁ A BUSCAR LONGE, POIS JÁ POSSUI TUDO QUE QUER, AO ALCANCE DA MÃO.
    AMIGA, ASSIM ENTENDI TEUS ESCRITOS E NAS ENTRELINHAS, LEIO QUE A ALMA É LIVRE E INDEPENDENTE DO FÍSICO QUE UMA HORA SÓ QUER PARAR E CURTIR, ENQUANTO ELA VAI SEMPRE ALÉM, EM BUSCA DE NOVOS RUMOS E SABEDORIA.
    LINDO DEMAIS E TÃO REFLEXIVO QUE NOS LEVA A ESTENDER-NOS NOS COMENTÁRIOS.
    ABRÇS
    http://zilanicelia.blogspot.com.br/

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  41. Que estágio belo e pleno.
    Sempre pensei que as viagens e o vislumbrar de outros mundos, era o que me faria feliz. Por algum tempo me vi em um navio cercada de sonhos, mas não consegui sair de dentro de mim mesma. Hoje com a maturidade e especialmente no dia de hoje ao ler seu belíssimo poema pude constatar que por mais que possamos viajar no plano físico ou nos nossos sonhos, não sairemos do lugar comum, se é isto que nos satisfaz verdadeiramente. Sonhar com os pés no chão.
    Encantada.bjs.

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  42. Maravilhoso poema.
    Também não tenho alma de viajante, gosto de viajar mas adoro o meu cantinho.
    Beijinhos
    Maria

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  43. Amiga, passando para lhe desejar um ótimo final de semana com muito amor!
    Avise-me quando tiver post novo!
    Amo seus textos!
    Bjus
    http://www.elianedelacerda.com

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  44. O sujeito poético está sem sonhos. Lindo poema.
    Desejo-lhe uma excelente semana.

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  45. Bela imagem e texto, minha querida amiga.
    Pudemos viajar sem sair do mesmo sítio.
    Gostei muito.
    Bj.
    Irene Alves

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  46. E quantas viagens fascinantes fazemos no nosso próprio lugar. Tem o mesmo céu azul, os pássaros, flores. É só querer ver.
    Amei. Bjs.

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  47. Não sou viajante também, gosto das coisas que tenho

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